A Congregação e a inspiração de irmã Maria Celeste
(A espiritualidade de Maria Celeste Crostarosa.p.120-125)
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A proposta de irmã Maria
Celeste
Esta foi precisamente a proposta
que irmã Maria Celeste lhe fez, como vontade de Deus para ele. “Me disse que eu
deixasse Nápoles, e fundasse aqui um instituto dedicado exclusivamente as
missões para as aldeias e cidades rurais(..), pois esta é a vontade de Deus.”, reporte
de Santo Afonso a Mazzini. A mesma coisa repete todas as testemunhas que no
processo de canonização conectam a fundação com a conversa de Afonso e Celeste:
as almas abandonadas dos campos. Esta é o núcleo central da mensagem no
apostolado dos missionários.
Referindo a visão de 4 de outubro,
irmã Maria Celeste enumera alguns traços que caracterizam a nova Congregação,
que em geral, seguirá a mesma Regra da Ordem. Se trata apenas de um resumo do
que estava sendo desenvolvido, de forma mais ampla em um documento que não
chegou até nós. O primeiro elemento é a pregação do Reino de Deus. Os exercícios
cotidianos de oração e o hábito serão como dizem as regras. Os membros
(congregados) deverão “viver em pobreza apostólica”, como são Francisco.
Andarão dois a dois pregando a penitencia, e não impedirão aqueles que se
sentem chamados a uma vida contemplativa ou eremítica. Em cada casa serão ao
menos 13! Eles irão pregar por obediência “quando forem enviados e escolhidos
pelos superiores”[1]
Com linguagem atual, poderíamos dizer
que a Regra da Ordem foi assumida como “documento base de trabalho”. Ela foi estudada, corrigida, completada, até
chegar ao texto que fosse apresentado
para aprovação pontifícia.
Quanto à aceitação ou não dos vários
elementos que acabamos de listar o julgamento deve levar em conta muitas
nuances nas finais de cada ponto isoladamente; não se pode fazer uma afirmação
de aceitação ou negação para todos indiscriminadamente. Afirmarão que Santo
Afonso refutou quase que completamente[2]
não corresponde com a verdade. Com certeza, nem todos os pontos tem a mesma importância.
Nem devemos pensar que que se santo Afonso as pôs em prática, foi porque as
encontrou no pensamento de Celeste. Muitos pontos da Regra, em efeito, eram
elementos mais ou menos comum na vida religiosa da época, como por exemplo o
numero de membros em cada comunidade.
Comunidade de 13 membros.
Santo Afonso não podia descartar este número, porque Gregório XV( Const. Apostólica
Cum alias, de 17 de Agosto de 1622) já havia estabelecido o numero de 12
religiosos para cada convento, e Inocêncio X em 1652 havia suprimido os pequenos
conventos[3].
Portanto, não é singular que os documentos primitivos (ou fundacionais) da
nossa história, falando dos membros que deveriam compor a comunidade, sempre dê
o numero de 13. Santo Afonso escreveu explicitamente: “No máximo, em cada casa,
não haverá mais do que o numero de 12 padres com o superior.”[4]
Em 1759, santo Afonso recusou o convite de voltar à villa Liberi porque “não
tinha renda suficiente para manter um colégio de doze sacerdotes, e também
porque não aceitamos conventos pequenos”[5].
E em um memorial de 1767 a Ferdinando IV, escreve: “A casa deve ser habitada ao
menos por 12 sacerdotes e por um numero competente de irmãos que lhe servirão”[6]
Pregar por Obediência. Irmã
Maria Celeste tinha escrito que os congregados sairão a pregar, “quando forem
mandatos e escolhidos pelo superior”. Dificilmente você encontrará uma outra
norma com a qual santo Afonso fosse mais de acordo do que com esta. De fato,
sairão a pregar somente por obediência e uma realidade que Santo Afonso
praticou com rigor exigente durante toda sua vida. Nada era mais contrário a
doutrina e a pratica de Afonso do que permitir que cada um “fizesse a sua própria
vontade” no apostolado.
A vida eremítica. Foi
repetidamente escrito que santo Afonso não aceitou a vida eremítica, proposta
por irmã Maria Celeste[7].
A vida eremítica, no significado de “eremita: religioso ou penitente que vive
sozinho”, nunca foi proposta por irmã Maria Celeste, nem para Congregação e nem
para a Ordem, portanto, Santo Afonso, não teve que aceitar ou recusá-la. A
palavra “eremitério” naquele tempo tinha um significado mais amplo do que costumamos
ter hoje. A vida retirada do mundo, dedicada a penitencia e a oração- na
solidão do campo e dos bosques ou ate nas cidades- vinha chamada de vida
contemplativa ou eremítica.[8]
Este estilo de vida retirada e penitente foi uma característica muito evidente
da primeira comunidade redentorista, que santo Afonso e os seus companheiros
consideravam; e eram considerados por outros, como eremitas que levavam vida
contemplativa.[9] O próprio
Santo Afonso usou o termo “eremita” para explicar o que era a vida
redentorista.
Ao noviço, que tentava sair a “um
instituto de vida contemplativa ou ao a um eremitério”, santo Afonso o animava
a perseverar na Congregação, dizendo-lhe, com Santo Tomás que: “Embora a vida
contemplativa seja mais perfeita do que a ativa, no entanto a vida mista, é
entrelaçada pela oração e a ação, é a mais perfeita, porque esta foi a vida de
Jesus Cristo. Esta é agora a vida de toda comunidade de operários bem ordenados,
especialmente de nossa Congregação, onde há mais horas de oração todos os dias,
mais horas de silêncio, e há um retiro quase perpétuo, fora uma vez por semana,
em que se pode sair. Onde pode-se dizer, que quando estamos fora de casa , nós
somos missionários, mas quando estamos em casa, somos eremitas.”[10]portanto,
o Landi, falando de Scala, dizia que
aquela primeira casa se devia chamar de eremitério e lugar de solidão ou de
anacoretas do que casa de missionários, tanto era o silencio e o retiro que se
praticava continuamente. [11]
É esta a vida mista, ativa e contemplativa ou eremítica, que santo Afonso viveu
e estabeleceu na Regra da nossa Congregação; isto é vida de oração em comum e
em privado por muitas horas ao dia, de recolhimento, de estudo e de intensa observância
da Regra.
Exercícios cotidianos de
oração. Santo Afonso reitera sempre sobre a importância da recitação comum
do oficio divino. Mas dado a índole apostólica
da Congregação, estabeleceu que o oficio fosse rezado e não cantado, como
faziam as monjas. Manteve os graus da paixão as sextas-feiras; a oração em
particular o dia 25 de cada mês; as três horas e meia de meditação por dia, a meia
hora de ação de graças depois da missa ou da comunhão; a ladainha a Nossa
Senhora; os dois exames de consciência cotidianos; o dia de retiro semanal
(tornou-se mais tarde mensal); o “De profundis” em sufrágio pelos defuntos; o pequeno
e grande silencio.
O hábito. Tannoia disse
que, desde o primeiro momento, santo Afonso descartou o hábito vinho[12].
De certo em Nápoles, um ano depois da fundação, pensavam que os redentoristas haviam
vestido o hábito vermelho[13].
Em julho de 1734, monsenhor Falcoia, autorizava santo Afonso a obedecer do
bispo de Caiazzo, o qual não aceitava que os missionários usassem meias azuis.[14]
Adaptando para a congregação a Regra das monjas, no capitulo sobre o hábito,
santo Afonso escreve: “Esta Constituição deve esconder agora, parece melhor não
fazer ou mencionar, por enquanto, sobre este assunto.” Adicionado imediatamente
depois: “Quanto a vestimenta quem decide é o Padre (Falcoia)...”; e recorda dos
dez pontos no qual monsenhor Falcoia descreve em sua particularidade, cor e
etc. sobre o hábito Redentorista[15].
De qualquer forma, a legislação relativa ao hábito foi estabelecida somente no
capitulo geral de outubro de 1749. [16]
Pobreza apostólica. “Apesar da
afirmação de Tannoia (De l avita..., II, 90) que pretende rejeitar deste
projeto por parte de Santo Afonso, o qual temia a ascenção de tantos Ananias
que não teriam aceitado um pobreza quase absoluta, lembra que no inicio se
fosse muito próximo aquela ideia de uma comunidade privada totalmente de bens
materiais”. Igualmente De Meulemeester, que cita o relatório ao marques de
Montallegre: os congregados se manterão “com aquilo que tem em suas casas,
posto aos pés do superior.”[17]
Na Regra sobre a pobreza, que já exigia uma perfeita vida comum, santo Afonso
adicionou de próprio punho:” Todos os admitidos ao noviciado depositarão os
seus pertences, tais como estão, aos pés do superior!” entre as notas de Santo
Afonso para a Regra e a constituição se diz:” Nunca capital, nem rendimento;
mas dinheiro anual ou esmolas como os franciscanos”[18]
[1]
Autobiografia, 187.
[2]
Conf. “A Origem, p. 169, cf. também Rey Mermet, o Santo do Século da Luz, Roma
1983, 301)
[3] E.
BOAGA, la soppressione innocenziana dei piccoli conventi in italia, Roma 1971,
34-41)
[4]
Complesso dell’instituto e Regole,in analecta CSSR 5 (1926) 174 e 232. Poichè la
norma era che vi fosse 12 sacerdoti oltre al superiore, L’assemblea Generale
del 1743 permise che nelle case del noviziato, dello studentato, del rettore
maggiore e del superiore provinciale, potesse esservi um numero maggiore (De
meulemeester, origines... Nell’Assemblea del 1747 la decisione fu ripetuta
(Analecta CSSR 1 [1922] 134). «I Rettori de’ Collegi particolari averanno il
governo della loro famiglia, che non transcenderà il numero di dodici altri
sacerdoti ed al più sette Fratelli laici», si trova nelle Regole di Conza. O.
GREGORIO - A. SAMPERS, Documenti intorno alla Regola della Congregazione del
SS. Redentore 1725-1749, Roma 1969, 382. Lo stesso si ripete nella trascrizione
Cossali e nelle Regole approvate. Ivi, 411 e 432.
[5]
Carta I, 417.
[6]
A.SAMPERS, 32 epistulae S. alphonsi ineditae..., in Spicilegium historicum CSSR
9(1961) 331.
[7] Correggo
qui quanto io stesso ho scritto in San Alfonso y María Celeste, Madrid 1988,
87. Il rifiuto della vita eremitica da parte di s. Alfonso si trova in DE
MEULEMEESTER e REy-MeRMeT nei luoghi citati nella nota 47. Anche in S. RAPONI,
Il carisma dei
Redentoristi nella Chiesa, Roma 1993, 66.
[8] "Nelle
Regole dell'Ordine (testo Foggiano III) suor Maria Celeste scrisse delle regole
(inedite) per le religiose che volessero praticare con maggior perfezione la
vita ritirata: vivono nello stesso monastero; partecipano con tutta la comunità
alla preghiera e ai pasti, ma non alle ricreazioni; non hanno cariche nella
comunità; rinunziano alla voce attiva e passiva e non ricevono visite. Suor M.
Celeste le chiama eremite o romite, come Tannoia chiama eremita don Giuseppe de
Liguori, che viveva piamente nel suo palazzo di Napoli (Della Vita.., II, 145
bis).
[9] Come
se fossimo tanti Romiti», dice il Mazzini; e aggiunge: «E nel tempo stesso, che
il Servo di Dio menava una tal vita attiva e faticosa, l'accompagnava
mirabilmente colla vita contemplativa, penitente, aspra, solitaria,
silenziaria, e divota». Positio...., Summarium super dubio, 26 e 28. Dice il
Villani: «Menavano vita assai penitente, nortificata, aspra, contemplativa, e
divota, come se fossero tanti Romiti delli più austeri istituti, che vi sono
nel Cristianesimo», in Summarium super virtutibus, 123.
[10] Conforto
ai novizi, in Opuscoli relativi allo Stato Religioso di S. Alfonso M. de
Liguori, Roma 1868, 126-127.
[11]
ISTORIA dela Congregazione, I,34, citado da Raponi, Il Carisma..., 64
[12] TANNOIA,
dela vita...II,90.
[13] Notizia
che il beato Sarnelli dà a s. Afonso, in analecta CSSR 6 (1927) 110.
[14]
FALCOIA, lettere...,220.
[15]
Analecta CSSR 5(1926)233.
[16]
Acta integra..., Romae 1899, 18.
[17]
De MEULEMEESTER, Orignes...,II 54; lettere I, 50.
[18] Texto
di Bovino, in gregorio- sampers, documenti intorno ala regola...302.