segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

 

A Congregação e a inspiração de irmã Maria Celeste

(A espiritualidade de Maria Celeste Crostarosa.p.120-125)

 

A proposta de irmã Maria Celeste

A novidade da Congregação fundada por Santo Afonso, consiste essencialmente na dedicação exclusiva e permanente as almas abandonadas do campo (interior), coma peculiaridade de estabelecer as comunidades fora das cidades, e no meio das dioceses mais necessitadas. A novidade não foi para Santo Afonso a pregação das missões; pois ele já o fazia esporadicamente várias vezes por ano; e nem a dedicação aos pobres, muitos entre aqueles que frequentavam as capelas do entardecer (Serotine) eram verdadeiros miseráveis. A novidade para Santo Afonso está em deixar a capital para se estabelecer permanentemente entre as pessoas do campo para anunciar o evangelho.

Esta foi precisamente a proposta que irmã Maria Celeste lhe fez, como vontade de Deus para ele. “Me disse que eu deixasse Nápoles, e fundasse aqui um instituto dedicado exclusivamente as missões para as aldeias e cidades rurais(..), pois esta é a vontade de Deus.”, reporte de Santo Afonso a Mazzini. A mesma coisa repete todas as testemunhas que no processo de canonização conectam a fundação com a conversa de Afonso e Celeste: as almas abandonadas dos campos. Esta é o núcleo central da mensagem no apostolado dos missionários.

Referindo a visão de 4 de outubro, irmã Maria Celeste enumera alguns traços que caracterizam a nova Congregação, que em geral, seguirá a mesma Regra da Ordem. Se trata apenas de um resumo do que estava sendo desenvolvido, de forma mais ampla em um documento que não chegou até nós. O primeiro elemento é a pregação do Reino de Deus. Os exercícios cotidianos de oração e o hábito serão como dizem as regras. Os membros (congregados) deverão “viver em pobreza apostólica”, como são Francisco. Andarão dois a dois pregando a penitencia, e não impedirão aqueles que se sentem chamados a uma vida contemplativa ou eremítica. Em cada casa serão ao menos 13! Eles irão pregar por obediência “quando forem enviados e escolhidos pelos superiores”[1]

Com linguagem atual, poderíamos dizer que a Regra da Ordem foi assumida como “documento base de trabalho”.  Ela foi estudada, corrigida, completada, até chegar ao  texto que fosse apresentado para aprovação pontifícia.

Quanto à aceitação ou não dos vários elementos que acabamos de listar o julgamento deve levar em conta muitas nuances nas finais de cada ponto isoladamente; não se pode fazer uma afirmação de aceitação ou negação para todos indiscriminadamente. Afirmarão que Santo Afonso refutou quase que completamente[2] não corresponde com a verdade. Com certeza, nem todos os pontos tem a mesma importância. Nem devemos pensar que que se santo Afonso as pôs em prática, foi porque as encontrou no pensamento de Celeste. Muitos pontos da Regra, em efeito, eram elementos mais ou menos comum na vida religiosa da época, como por exemplo o numero de membros em cada comunidade.

Comunidade de 13 membros. Santo Afonso não podia descartar este número, porque Gregório XV( Const. Apostólica Cum alias, de 17 de Agosto de 1622) já havia estabelecido o numero de 12 religiosos para cada convento, e Inocêncio X em 1652 havia suprimido os pequenos conventos[3]. Portanto, não é singular que os documentos primitivos (ou fundacionais) da nossa história, falando dos membros que deveriam compor a comunidade, sempre dê o numero de 13. Santo Afonso escreveu explicitamente: “No máximo, em cada casa, não haverá mais do que o numero de 12 padres com o superior.”[4] Em 1759, santo Afonso recusou o convite de voltar à villa Liberi porque “não tinha renda suficiente para manter um colégio de doze sacerdotes, e também porque não aceitamos conventos pequenos”[5]. E em um memorial de 1767 a Ferdinando IV, escreve: “A casa deve ser habitada ao menos por 12 sacerdotes e por um numero competente de irmãos que lhe servirão”[6]

Pregar por Obediência. Irmã Maria Celeste tinha escrito que os congregados sairão a pregar, “quando forem mandatos e escolhidos pelo superior”. Dificilmente você encontrará uma outra norma com a qual santo Afonso fosse mais de acordo do que com esta. De fato, sairão a pregar somente por obediência e uma realidade que Santo Afonso praticou com rigor exigente durante toda sua vida. Nada era mais contrário a doutrina e a pratica de Afonso do que permitir que cada um “fizesse a sua própria vontade” no apostolado.

A vida eremítica. Foi repetidamente escrito que santo Afonso não aceitou a vida eremítica, proposta por irmã Maria Celeste[7]. A vida eremítica, no significado de “eremita: religioso ou penitente que vive sozinho”, nunca foi proposta por irmã Maria Celeste, nem para Congregação e nem para a Ordem, portanto, Santo Afonso, não teve que aceitar ou recusá-la. A palavra “eremitério” naquele tempo tinha um significado mais amplo do que costumamos ter hoje. A vida retirada do mundo, dedicada a penitencia e a oração- na solidão do campo e dos bosques ou ate nas cidades- vinha chamada de vida contemplativa ou eremítica.[8] Este estilo de vida retirada e penitente foi uma característica muito evidente da primeira comunidade redentorista, que santo Afonso e os seus companheiros consideravam; e eram considerados por outros, como eremitas que levavam vida contemplativa.[9] O próprio Santo Afonso usou o termo “eremita” para explicar o que era a vida redentorista.

Ao noviço, que tentava sair a “um instituto de vida contemplativa ou ao a um eremitério”, santo Afonso o animava a perseverar na Congregação, dizendo-lhe, com Santo Tomás que: “Embora a vida contemplativa seja mais perfeita do que a ativa, no entanto a vida mista, é entrelaçada pela oração e a ação, é a mais perfeita, porque esta foi a vida de Jesus Cristo. Esta é agora a vida de toda comunidade de operários bem ordenados, especialmente de nossa Congregação, onde há mais horas de oração todos os dias, mais horas de silêncio, e há um retiro quase perpétuo, fora uma vez por semana, em que se pode sair. Onde pode-se dizer, que quando estamos fora de casa , nós somos missionários, mas quando estamos em casa, somos eremitas.”[10]portanto, o Landi, falando de Scala, dizia  que aquela primeira casa se devia chamar de eremitério e lugar de solidão ou de anacoretas do que casa de missionários, tanto era o silencio e o retiro que se praticava continuamente. [11] É esta a vida mista, ativa e contemplativa ou eremítica, que santo Afonso viveu e estabeleceu na Regra da nossa Congregação; isto é vida de oração em comum e em privado por muitas horas ao dia, de recolhimento, de estudo e de intensa observância da Regra.

Exercícios cotidianos de oração. Santo Afonso reitera sempre sobre a importância da recitação comum do oficio divino.  Mas dado a índole apostólica da Congregação, estabeleceu que o oficio fosse rezado e não cantado, como faziam as monjas. Manteve os graus da paixão as sextas-feiras; a oração em particular o dia 25 de cada mês; as três horas e meia de meditação por dia, a meia hora de ação de graças depois da missa ou da comunhão; a ladainha a Nossa Senhora; os dois exames de consciência cotidianos; o dia de retiro semanal (tornou-se mais tarde mensal); o “De profundis” em sufrágio pelos defuntos; o pequeno e grande silencio.

O hábito. Tannoia disse que, desde o primeiro momento, santo Afonso descartou o hábito vinho[12]. De certo em Nápoles, um ano depois da fundação, pensavam que os redentoristas haviam vestido o hábito vermelho[13]. Em julho de 1734, monsenhor Falcoia, autorizava santo Afonso a obedecer do bispo de Caiazzo, o qual não aceitava que os missionários usassem meias azuis.[14] Adaptando para a congregação a Regra das monjas, no capitulo sobre o hábito, santo Afonso escreve: “Esta Constituição deve esconder agora, parece melhor não fazer ou mencionar, por enquanto, sobre este assunto.” Adicionado imediatamente depois: “Quanto a vestimenta quem decide é o Padre (Falcoia)...”; e recorda dos dez pontos no qual monsenhor Falcoia descreve em sua particularidade, cor e etc. sobre o hábito Redentorista[15]. De qualquer forma, a legislação relativa ao hábito foi estabelecida somente no capitulo geral de outubro de 1749. [16]

Pobreza apostólica. “Apesar da afirmação de Tannoia (De l avita..., II, 90) que pretende rejeitar deste projeto por parte de Santo Afonso, o qual temia a ascenção de tantos Ananias que não teriam aceitado um pobreza quase absoluta, lembra que no inicio se fosse muito próximo aquela ideia de uma comunidade privada totalmente de bens materiais”. Igualmente De Meulemeester, que cita o relatório ao marques de Montallegre: os congregados se manterão “com aquilo que tem em suas casas, posto aos pés do superior.”[17] Na Regra sobre a pobreza, que já exigia uma perfeita vida comum, santo Afonso adicionou de próprio punho:” Todos os admitidos ao noviciado depositarão os seus pertences, tais como estão, aos pés do superior!” entre as notas de Santo Afonso para a Regra e a constituição se diz:” Nunca capital, nem rendimento; mas dinheiro anual ou esmolas como os franciscanos”[18]

 

 

 

 

 

 



[1] Autobiografia, 187.

[2] Conf. “A Origem, p. 169, cf. também Rey Mermet, o Santo do Século da Luz, Roma 1983, 301)

[3] E. BOAGA, la soppressione innocenziana dei piccoli conventi in italia, Roma 1971, 34-41)

[4] Complesso dell’instituto e Regole,in analecta CSSR 5 (1926) 174 e 232. Poichè la norma era che vi fosse 12 sacerdoti oltre al superiore, L’assemblea Generale del 1743 permise che nelle case del noviziato, dello studentato, del rettore maggiore e del superiore provinciale, potesse esservi um numero maggiore (De meulemeester, origines... Nell’Assemblea del 1747 la decisione fu ripetuta (Analecta CSSR 1 [1922] 134). «I Rettori de’ Collegi particolari averanno il governo della loro famiglia, che non transcenderà il numero di dodici altri sacerdoti ed al più sette Fratelli laici», si trova nelle Regole di Conza. O. GREGORIO - A. SAMPERS, Documenti intorno alla Regola della Congregazione del SS. Redentore 1725-1749, Roma 1969, 382. Lo stesso si ripete nella trascrizione Cossali e nelle Regole approvate. Ivi, 411 e 432.

[5] Carta I, 417.

[6] A.SAMPERS, 32 epistulae S. alphonsi ineditae..., in Spicilegium historicum CSSR 9(1961) 331.

[7] Correggo qui quanto io stesso ho scritto in San Alfonso y María Celeste, Madrid 1988, 87. Il rifiuto della vita eremitica da parte di s. Alfonso si trova in DE MEULEMEESTER e REy-MeRMeT nei luoghi citati nella nota 47. Anche in S. RAPONI, Il carisma dei

Redentoristi nella Chiesa, Roma 1993, 66.

[8] "Nelle Regole dell'Ordine (testo Foggiano III) suor Maria Celeste scrisse delle regole (inedite) per le religiose che volessero praticare con maggior perfezione la vita ritirata: vivono nello stesso monastero; partecipano con tutta la comunità alla preghiera e ai pasti, ma non alle ricreazioni; non hanno cariche nella comunità; rinunziano alla voce attiva e passiva e non ricevono visite. Suor M. Celeste le chiama eremite o romite, come Tannoia chiama eremita don Giuseppe de Liguori, che viveva piamente nel suo palazzo di Napoli (Della Vita.., II, 145 bis).

[9] Come se fossimo tanti Romiti», dice il Mazzini; e aggiunge: «E nel tempo stesso, che il Servo di Dio menava una tal vita attiva e faticosa, l'accompagnava mirabilmente colla vita contemplativa, penitente, aspra, solitaria, silenziaria, e divota». Positio...., Summarium super dubio, 26 e 28. Dice il Villani: «Menavano vita assai penitente, nortificata, aspra, contemplativa, e divota, come se fossero tanti Romiti delli più austeri istituti, che vi sono nel Cristianesimo», in Summarium super virtutibus, 123.

[10] Conforto ai novizi, in Opuscoli relativi allo Stato Religioso di S. Alfonso M. de Liguori, Roma 1868, 126-127.

[11] ISTORIA dela Congregazione, I,34, citado da Raponi, Il Carisma..., 64

 

[12] TANNOIA, dela vita...II,90.

[13] Notizia che il beato Sarnelli dà a s. Afonso, in analecta CSSR 6 (1927) 110.

[14] FALCOIA, lettere...,220.

[15] Analecta CSSR 5(1926)233.

[16] Acta integra..., Romae 1899, 18.

[17] De MEULEMEESTER, Orignes...,II 54; lettere I, 50.

[18] Texto di Bovino, in gregorio- sampers, documenti intorno ala regola...302.

quarta-feira, 11 de setembro de 2024

Carta do superior Geral dos Missionários Redentoristas




CARÍSSIMOS CONFRADES, FORMANDOS, ASSOCIADOS LEIGOS À NOSSA MISSÃO E FAMÍLIA REDENTORISTA E, NESTA OCASIÃO ESPECIAL, TODAS AS MONJAS DA ORDEM DO SANTÍSSIMO REDENTOR, 1. Júlia Marcela Santa Crostarosa nasceu em 31 de outubro de 1696 em Nápoles. Entrou no conservatório (convento) teresiano de Santa Maria das Sete Dores em Marigliano na primavera de 1718 e professou como carmelita em 21 de setembro de 1719. Em outubro de 1723 o convento foi fechado e ela, em janeiro de 1724, entrou no mosteiro visitandino da Santíssima Conceição de Scala, Salerno. Poucos dias depois, iniciou o noviciado tomando o nome de Irmã Maria Celeste do Santo Deserto; renovou em seguida os votos como visitandina em 28 de dezembro de 1726. Quando era ainda noviça, em 25 de abril de 1725, após a celebração da Eucaristia, começou a ter a intuição de fundar um novo Instituto. Encorajada por seu confessor e pela mestra das noviças, escreveu a regra, cujo centro é a comunidade como viva memória do amor do Redentor. Em 1730, encontrou S. Afonso e, graças a seu auxílio, no dia 13 de maio de 1731, nasceu a Ordem do Santíssimo Salvador, cujas Regras foram aprovadas pelo Papa Bento XIV em 8 de junho de 1750, mudando o nome para Ordem do Santíssimo Redentor. Em 14 de setembro de 1755 morreu em Foggia, reconhecida pelo povo como a Santa Priora. 2. A história de Celeste é complexa e sua vida não foi fácil. Particularmente duros foram os momentos de tensão com Dom Tomás Falcoia devido à sua defesa da intuição originária na definição das regras da comunidade. Viu-se obrigada a deixar Scala. Permaneceu, porém, inalterada a amizade e a comunhão fraterna com S. Afonso e os outros Redentoristas, inclusive S. Geraldo. Com profunda fé em Deus e perseverança conseguiu, em Foggia, implementar o projeto original.

Na sua hagiografia, no site do Dicastério para as Causas dos Santos, lemos: “A Serva de Deus, desde a juventude, experimentou um forte chamado à santidade e ao matrimênio místico com Cristo, esposo exigente, e andou sempre buscando uma radicalidade na consagração religiosa, propondo uma reforma que concebia a vida das Monjas como uma perfeita imitação da vita de Cristo e a comunidade religiosa como uma viva memória do seu amor redentor para com todos. A Eucaristia, o coração traspassado do Salvador e a devoção à SS. Virgem Maria constituíram o centro permanente da sua espiritualidade. Imersa na oração e na contemplação do mistério de Jesus Redentor, Irmã Maria Celeste afrontou com firmeza não só a cotidiana luta espiritual para tender à perfeição, mas também uma série de obstáculos e de incompreensões que encontrou na sua caminhada”. 1 3. Um dos conceitos caros a Madre Celeste é o de uma comunidade que seja viva memória do amor do Pai em Cristo. Para tanto é preciso que as irmãs se deixem transformar pelo Espírito em retrato vivo do Redentor. Essa profunda experiência e íntima comunhão, vividas no nível pessoal, permitem à comunidade ser um testemunho irradiante de esperança para toda a Igreja, particularmente para aqueles que delas estão privados. A espiritualidade de Madre Celeste procura viver a comunhão com Cristo de modo tão íntimo e transformador que a vida dos fiéis se torne uma prova viva do amor redentor de Deus. É uma espiritualidade de profunda contemplação, caracterizada sempre pela tensão a irradiar de maneira significativa o amor redentor de Cristo, sempre presente e ativo no mundo. 4. Segundo Hildegard Magdalen Pleva:“Viva Memória é um processo constante e dinâmico, pelo qual a pessoa é mudada interiormente, gradualmente despojada do falso eu, de modo a revelar o Cristo que nela habita. Conforme a intenção de Deus Pai, este é o Jesus em cuja vida nós fomos chamados a participar em virtude da sua Encarnação como ser humano. A revelação gradual da vida dinâmica de Jesus dentro da alma torna presente em nosso mundo e em nosso tempo a pessoa e as ações de Jesus Cristo. Conforme Maria Celeste, o processo constante e dinâmico de transformação pessoal e espiritual é realizado com a força do Espírito Santo em um ambiente nascido da virtude e da disponibilidade para Deus nos momentos de silêncio e de solidão” (PLEVA, H.M. “Viva Memória”. In: WALES, Sean, BILLY, Dennis. Dicionário de Espiritualidade Redentorista. Goiânia: Scala, 2012, p. 301). 5. Desde os primeiros séculos a Igreja tem reconhecido o valor da vida contemplativa, caracterizada pela busca da união íntima com Deus através da meditação constante e da vida litúrgica centrada na Eucaristia, nos Sacramentos e na Lectio Divina, como também na ascese, na vida de clausura e comunitária, no silêncio, na solidão, na simplicidade e austeridade de vida, no trabalho, na vida de caridade, no estudo constante, na leitura espiritual e no autoconhecimento. Como nos recorda o Papa Francisco na Constituição Apostólica Vultum Dei quaerere, sobre a vida contemplativa feminina, “desde os primeiros séculos até os nossos dias, alternando-se períodos de grande vigor com outros de declínio, a vida contemplativa manteve-se sempre viva na Igreja graças à presença constante do Senhor e à capacidade própria da Igreja de se renovar e adaptar às mudanças da sociedade: aquela, como seu elemento específico e característico, manteve sempre viva a busca do rosto de Deus e o amor incondicional a Cristo” (n. 9). Portanto, devemos reconhecer a importância da Ordem no seio da Igreja, particularmente para a Congregação do Santíssimo Redentor, já que ambas as instituições têm a mesma fonte carismática, o Redentor. 6. Em muitos lugares a Ordem está atravessando um momento difícil por causa do envelhecimento das Monjas e da falta de vocações. Como outras Congregações e Mosteiros, a Ordem também vive um momento de reestruturação mediante as Federações. Faço um apelo a todos os confrades e aos Secretariados para a promoção das vocações, afim de que tornem conhecida a vocação à vida contemplativa, sobretudo na Ordem do Santíssimo Redentor. A vida contemplativa das irmãs ilumina e sustenta espiritualmente o dinamismo da Congregação nas suas várias obras apostólicas. Através da contemplação, as Monjas nos recordam sempre que devemos manter o olhar fixo no

Redentor, razão da nossa vida e ao qual nos consagramos para a sua missão. Em muitas realidades, os confrades assistem os mosteiros ajudando na celebração da Eucaristia, nas confissões, na direção espiritual e na formação. Agradeço a esses confrades que prestam um tal serviço à Ordem! Ainda que haja dificuldades, encorajo as Monjas a tornar conhecida a sua missão, sua espiritualidade e seu estilo de vida através dos diversos meios de comunicação, sobretudo as redes sociais, sem perder a dimensão profunda da contemplação. Não devem esmorecer nem naquelas situações em que a vida comunitária é difícil, o número de irmãs é insuficiente para o seu trabalho cotidiano e as vocações são escassas. Deve-se ouvir a voz do Redentor e, em obediência à sua palavra, lançar as redes nas águas mais profundas deste mundo sem temer o futuro e os transtornos da nossa histíria (cfr. Lc 5,4). 7. Maria, Mãe do Perpétuo Socorro, Santo Afonso e a Bem-aventurada Maria Celeste Crostarosa protejam a Ordem e suscitem novas vocações à vida contemplativa e deem encorajamento e perseverança a todas as Monjas que dedicam sua vida procurando ser um memorial vivo do Redentor neste mundo. Fraternamente em Cristo Redentor,




Pe. Rogério Gomes, C.Ss.R Superior Geral


acesse o texto original:

sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Chegada ao Brasil das fundadoras

 


No dia 14 de junho de 1921 desembargou o grupo das fundadoras no Rio de Janeiro. Estava constituído assim: Superiora a Madre Maria Clemente, natural de Leija e professa em Lovaina; Vigária, irmã Maria Francisca natural de Tournai e que esteve por onze anos em Scala, colaborando com grande dedicação a reconstrução do próto-mosteiro.  As duas religiosas brasileiras: Irmã Maria Teresa do Menino Jesus e a irmã Maria Luiza do Sagrado coração de Jesus. A pequena comunidade se instalou provisoriamente na cidade de Vassouras-Rj. A primeira candidata ao postulantado brasileiro foi Teresa Paletta Cerqueira (irmã Maria José), de Juiz de fora. Ainda em Vassouras, ingressaram duas jovens cariocas: Djanira Pinto (irmã Maria Afonso) e Edith Mendes Pereira (irmã Maria Geraldo).

Permaneceram apenas três anos nessa casa provisória. Diante da impossibilidade de construir um mosteiro definitivo, a comunidade se transladou para Itu, no estado de são Paulo.

Tendo ido para esta cidade o padre João Batista Smits, para o serviço da “liga católica de Jesus, maria e José”, foi informado pelos padres carmelitas de que ali existia uma fazenda a venda e que serviria bem para as adaptações necessárias a um mosteiro. A proprietária, uma viúva piedosa e rica, cedeu a casa por um preço razoável e facilitou o pagamento. Tudo ajeitado, a comunidade se transladou para Itu em fevereiro de 1924. A primeira postulante que entrou no novo mosteiro foi uma jovem gaúcha que residia no Rio de Janeiro, Antônia Lima (irmã Josefina). A comunidade contava com nove membros, foram aparecendo novas vocações, cariocas, campistas (campos-RJ), mineiras, paulistas e paranaenses.

A comunidade crescia... venho a segunda guerra mundial e a comunidade sofreu a falta de vocações pelo período de dez anos (1941-1951). De novo voltou a florescer e em 1952 levou a cabo a fundação do mosteiro Imaculado coração de Maria em Belo Horizonte. Mais tarde, em 1988 Itu enviou quatro monjas para fundação da colômbia.  

Ao longo desses 75 anos de fundação viveram no mosteiro 54 irmãs professas.

5 fundadoras, professas na Bélgica

47 professas em Itu

2 professas em Belo Horizonte- totalizando 54 irmãs

Atualmente

13 professas em Itu

2 professas em Belo Horizonte

4 professas  em Buga Colômbia

1 professa em Wittem, Holanda

9 -saídas

25- falecidas-  total de 54

 

quinta-feira, 8 de julho de 2021

Mosteiro da Imaculada Conceição (Parte 1)

 

Primeiro Mosteiro Redentorista da América do sul

 

Origem

As fundadoras do mosteiro de Itu vieram da Bélgica, do mosteiro de Bruges, que nos dizeres do Venerável padre Passerat, deveria ser “ a flor da Ordem.”

Desde muito tempo o Divino Jardineiro ia preparando, no segredo da oração, os instrumentos que ele deveria trabalhar nesta vinha escolhida e destinada a fazer presente e eficaz no mundo a obra salvadora de Jesus Redentor e libertador.

Duas jovens brasileiras, chamadas a vida religiosa contemplativa redentorista, decidiram generosa e animadamente atravessar os mares para ingressar no mosteiro Redentorista de Bruges, Bélgica.

A primeira, elena Lucia Isnard, residia no Rio de Janeiro e frequentava a Igreja de Santo Afonso. Seu diretor espiritual, padre Gualter Perriens era o superior vice provincial do Rio de Janeiro. Ele foi um dos valiosos instrumentos da Divina Providencia para a realização do plano de fundação de um mosteiro redentorista no Brasil.

Elena Isnard, partiu para Bruges em 1910, fazendo um total sacrifício de sua família a quem   amava até o extremo e de suas duas pátrias: Brasil e a bela França que a viu nascer. Não imaginava que passando onze anos retornaria como fundadora do mosteiro de Itu.

A segunda jovem, natural de Minas Gerais, de uma família tradicional de Juiz de Fora, foi orientada ppelo padre Matias Tulkens, CSsR. Partiu  para o mesmo mosteiro de Bruges dois anos depois, deixando a comodidade de uma família rica, vencendo sua timidez e os temores de uma saúde débil. Ingressou no Mosteiro de Bruges em 1912, levava, porém, a esperança de regressar ao Brasil, pois sabia que uma parenta sua, Ana de Assis, pessoa profundamente piedosa e dedicada aos Redentoristas, tinha a intenção de acordo com o padre Gualter, de fundar um mosteiro Redentorista em Juiz de fora e para esse fim, oferecia generosamente custear todos os gastos.

Mas veio a guerra de 1914 e depois caiu sobre o país a terrível gripe espanhola, ocasionando inúmeras vítimas. Uma das vitimas foi a generosa Ana de Assis, que faleceu depois de dois dias, sem deixar testamento. Se desvanecia assim a esperança de uma fundação em 1918. 
Entretanto, a Providencia velava sobre esse projeto! Queria, não obstante, que a pobreza estivesse na base desse edifício espiritual.

Quando terminou a guerra o sr. Ernesti Isnard com sua esposa Srª. Zulmira de Govea Isnard, em visita a sua irmã Elena, agora irmã Maria Teresa do Menino Jesus, propuseram fazer a tão desejada fundação. O generoso convite chegava em um momento pouco favorável para o mosteiro de Bruges que a duras penas começava a refazer-se e reconstruir-se depois das provas sofridas durante a guerra. De fato os alemães ocuparam a fazenda e obrigaram as irmãs a refugiar-se em outros conventos, separados em dois grupos. Também a superiora da comunidade havia falecido durante aqueles tristes anos. Por tudo isso, seria difícil assumir o projeto de uma fundação naquele momento. Contudo a generosidade das irmãs não retrocedera diante do sacrifico que supunha ceder para ir ao Brasil a quatro irmãs professas.

O padre Camilo Van Steene, superior provincial da Bélgica e o padre Gualter Perriens aconselharam com grande interesse e dedicação todas as gerências para uma nova fundação. Consultando o Cardeal Guilhermo Van Rossum, receberam o seu caloroso estimulo.


sexta-feira, 18 de junho de 2021

Aniversário de Beatificação

 

Hoje celebramos o quinto aniversário da Beatificação de nossa fundadora, Madre Maria Celeste Crostarosa. Esse grandioso evento para nossa Ordem e toda família Redentorista aconteceu no dia 18 de junho de 2016 na cidade de Foggia, onde nossa fundadora viveu os seus últimos anos de vida e local que ela mesmo diante de tanto sofrimento viu realizada a vontade de Deus.

Rendemos graças ao Santíssimo Redentor, pela vida, missão e santidade de nossa Mãe fundadora. Que lá do Céu, ela continue intercedendo por toda família Redentorista e sendo motivação para tantas jovens que buscam corresponder ao Chamando de Deus  que é “Ser no mundo uma Memória viva do Redentor!”.